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26 de Junho, 2020 - 13:41
Pesquisadores da UFMT projetam que estado pode ficar sem leitos de UTI antes do final do mês

Projeção de pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) aponta que Mato Grosso não terá mais leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIS), para tratamento da Covid-19 a partir do dia 30 de junho. O estudo elaborado pelo Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) também aponta que, até o final de julho, o número de casos que irão precisar de UTI será o dobro do número de leitos disponíveis.


A nota técnica, intitulada "Demanda por UTIs em Mato Grosso em decorrência da pandemia da covid-19: situação e projeção para as macrorregiões de saúde" apresenta a oferta e distribuição de leitos clínicos e de UTI para atendimento aos casos de covid-19 em Mato Grosso, além de fazer projeções sobre a evolução da doença e, consequentemente, da demanda por leitos de UTI.



"Pelas estimativas, se a velocidade com que vem surgindo novos casos da doença não sofrer alterações, em poucos dias poderemos enfrentar o colapso do sistema público de saúde, com a impossibilidade de atender adequadamente casos graves da doença", afirmam os pesquisadores.



Na verdade, em cinco das seis macrorregiões de saúde de Mato Grosso o número de leitos de UTI disponíveis já apresentava saturação no dia 21 de junho, sendo a exceção a macrorregião centro-norte, onde fica Cuiabá e Várzea Grande. "Isso implica que a demanda não atendida nos hospitais de referência desses lugares provavelmente tem sido regulada por os hospitais da região de Cuiabá e Várzea Grande", explicam.



A distribuição desigual no número de leitos de UTI também é responsável por essa situação. Embora todas as macrorregiões possuam leitos de UTI exclusivos para casos de covid-19, estes estão distribuídos em apenas nove dos 141 municípios do estado:





Na região Leste, por exemplo, a distância até um leito de UTI pode ser de quase 700km.



"A flexibilização das medidas de distanciamento social contribui para a disseminação da doença, mantendo o número crescente de casos novos e óbitos. As consequências serão ainda mais devastadoras se os serviços de saúde não atenderem ao progressivo aumento da demanda caracterizada pelo crescimento exponencial do número de casos de covid-19 em Mato Grosso e em suas macrorregiões."



De acordo com as projeções, se a taxa de contágio não for reduzida, até o final de julho, o número de casos de covid-19 que necessitarão de leitos de UTI será o dobro do número de leitos de UTI disponíveis para a doença em todo o estado.







Os resultados apresentados nesta Nota Técnica foram produzidos a partir de dados sobre a COVID-19 divulgados pela na Secretaria de Saúde do Estado de Mato Grosso. Dados populacionais referem-se a estimativas para 2020 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).



Fizeram parte da pesquisa os professores Ana Paula Muraro e Lígia Regina de Oliveira, do Instituto de Saúde Coletiva (ISC); Emerson Soares dos Santos, do Departamento de Geografia; Moisés dos Santos Cecconello, do Departamento de Matemática; e Ruan Carlos Ramos da Silva, do IFMT.

Fonte: Olhar Direto
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