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24 de Marco, 2015 - 11:49
Picaretas ou achacadores

  DIRCEU CARDOSO GONÇALVES


O ex-ministro Cid Gomes, da Educação, que discutiu com os parlamentares e se retirou da sessão onde compareceu convocado para explicar suas declarações de que “a Câmara tem de 300 a 400 achacadores”, deverá ser processado pelo que disse.



Como não ocupa mais o posto de ministro, os congressistas não podem convocá-lo outra vez. Mas como quem acusa tem o ônus da prova, será chamado a sustentar o que disse e, não o fazendo, poderá ser processado, condenado e tornar-se inelegível para as próximas eleições.



O político brasileiro vive um momento de grande fragilidade. Malfeitos como os mensalões, os cartéis, as propinas e outras operações que desviaram dinheiro público e de organizações estatais para o custeio de campanhas eleitorais ou a compra de apoio parlamentar aos projetos e interesses do governo, deformam a imagem da classe perante a opinião pública.



A declaração de Cid Gomes caiu como um petardo nesse instante crítico e os deputados, para salvar a própria imagem, o levarão aos tribunais para que, lá, seja coagido a fazer o que não fez na sessão da Câmara: explicar-se e, na medida do possível, desculpar-se pelo ataque.



Pela gravidade do dito, se os parlamentares não o acionarem judicialmente, estarão vestindo a carapuça do erro, que é grave e não pode ser varrido para baixo do tapete.



O quadro de hoje é muito diferente do vivido em setembro de 1993, quando o então ex-deputado Luiz Inácio Lula da Silva, que exerceu o mandato de 1987 a 91, disse que na Câmara “há uma maioria de 300 picaretas que defendem apenas seus interesses”.



A frase, dita no Amazonas, foi repetida Brasil afora e o próprio autor, dias depois, desconversaria, dizendo que “o resto (dos deputados) é gente boa, que vota por convicção ideológica e não por fisiologismo”.



Nada lhe aconteceu e, no ano seguinte, quando concorreria à presidência da República (e perderia para FHC), ainda foi brindado com a música “Luiz Inácio e os 300 Picaretas”, interpretada pelo conjunto Paralamas do Sucesso, que restou proibida por ação do Ministério Público Federal, a pedido da Câmara dos Deputados.



Cid precisa se precaver para não ter suspensa precocemente sua vida política. Se não tiver provas do que disse, beba o cálice amargo de desmentir-se a admitir ter cometido excesso. Mas se tiver, que as apresente logo e ajude a extirpar os malfeitores do Poder Legislativo.



Poderá também chamar Lula como testemunha pois, mesmo em momentos diferentes, o ex-presidente também viu problemas naquela casa legislativa.



Se fizer tudo direitinho, o ex-ministro poderá, até, reivindicar o direito de ganhar, de algum artista de sucesso, uma composição musical análoga à que brindou Lula há 21 anos. Algo com “Cid Gomes e os 300 ou 400 achacadores”



Mas o importante, a essa altura dos acontecimentos é, com base nas denúncias, apurar, identificar os autores, os crimes cometidos, e punir exemplarmente todos os achacadores e picaretas.



O Brasil moderno não admite dúvidas. Portanto, paga Cid se falou o que não sabia ou são punidos aqueles de quem ele sabe irregularidades...



DIRCEU CARDOSO GONÇALVES é dirigente da Aspomil (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo).


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