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17 de Marco, 2015 - 12:42
No limiar dos espinhos

  GONÇALO DE BARROS


É fácil derrubar um partido político, mas não se derruba uma ideia, uma cultura, uma ideologia



As flores, quando faladas, se revelam. Caminhando a humanidade vive seus ciclos, dado que o tempo é criação de quem foi criado. 



E de quem foi criado, não se diz perfeito, mas em superação. 



A busca por algo, de forma intuitiva, revela o ser imperfeito, de verniz pelas necessidades, e a razão pura, atributo do purificado.



Do pensamento grego antigo, temos que a felicidade atende pela aritmética da realidade menos expectativas. 



O que querem os analfabetos funcionais? E os ingênuos políticos? A felicidade, ao que parece. Então, que finquem os pés no chão, deixando a dialética para os preparados. 






"É fácil derrubar um partido político, mas não se derruba uma ideia, uma cultura ou mesmo uma ideologia, ainda mais sem liderança consistente, pragmatismo, militância, e pressupostos sinceros"








Do contrato rousseauniano, passamos pelos valores kantianos da racionalidade normativa, parando por pequena parcela de anos, o que já é sintomático, no utilitarismo de Mill. 



Voltamos, então, à ética socrática; tentamos, em movimento constante, nos descobrir, descortinar a vida, sob os aplausos dos valores e das necessidades, sem, contudo, ouvir Aristóteles. 



‘A detida análise da realidade, a observação da natureza e dos fenômenos, a dissecação da vida e os estudos de cunho biológico transportaram-se para os campos político e ético, operando-se profunda inovação nos métodos científicos adotados até o momento. A terapia do corpo doutrinada por Hipócrates fundiu-se idealmente com a terapia da alma doutrinada por Sócrates resultando-se numa harmônica combinação dos métodos indutivo e dedutivo de conhecimento’ (Eduardo Bittar, Curso de Filosofia Aristotélica). Aristóteles é atual. 



O que é eterno não pode não ser em algum momento, do que resulta que o que não é em nenhum momento não pode ser eterno (Tratado). 



Aqui resume o erro político de lideranças políticas, especialmente as autoritárias. Acreditam ser eternas, e se não o são considerando o tempo e mandato, não aceitam o jogo democrático da alternância. 



É fácil derrubar um partido político, mas não se derruba uma ideia, uma cultura ou mesmo uma ideologia, ainda mais sem liderança consistente, pragmatismo, militância, e pressupostos sinceros. 



Esse é o dilema entre esquerda e direita, em que esta não joga politicamente, e não joga por faltar-lhe determinação e organização. 



Gritar não faz coro à vitória, é turba, é massa manobrável. 



O pequeno burguês, por sua natureza ideológica, nada entende de referencial teórico. A pátria que pressupõe é a da mais valia.



Seu status deve estar em segurança. Ameaçá-lo, o põe em alerta. Somente isso. 



Mas cuidado, seu movimento pode ser tomado por organizações metódicas e disciplinadas, secularmente empregadas no terror, medo, de um lado e de outro. 



Hoje, as coisas estão diferenciadas, a força se iguala, o que torna o estado de coisas ainda mais perigoso. 



O momento é muito delicado. Na essência, as altercações políticas são sempre bem vindas, oxigenam e renovam a democracia.



De Caxias a Jango não sei formatar, mas, o que sei, é que não quero o exemplo dos Quadros e nem dos Vargas. 



O Brasil é maior que tudo isso. Afinal, seu povo é fantástico! 



É por aí...



GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO é juiz de Direito em Cuiabá.

antunesdebarros@hotmail.com


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