Bem vindo ao Arinos Notícias, Segunda-Feira, 20 de Novembro de 2017
opiniões
     
23 de Outubro, 2014 - 09:43
Pronto, Coroa!

  Paulo Lemos


Poucos dias atrás, escrevi e publiquei o artigo “Cara ou Coroa”, manifestando os critérios que levaria em conta para a escolha do meu voto agora no segundo turno da eleição presidencial no Brasil, polarizada, como todos sabem, entre o Partido dos Trabalhadores (Coroa), com a candidata à reeleição Dilma Rousseff, representando o campo de esquerda, e o Partido da Social Democracia Brasileira (Cara), capitaneado pelo ex-governador e atual senador mineiro Aécio Neves, congregando no seu entorno as forças do campo oposto, portanto, da direita.



Antes que algum incauto critique a classificação dada acima, alegando que ela nunca existiu ou que resta superada historicamente, como num passe de mágica com a derrubada do Muro de Berlim, esclareço quais características de cada lado do muro de hoje me leva a manejá-lá.



Porém, sem deixar de reconhecer que tanto um quanto o outro, independente de que lado do muro estejam, não rompem com a camisa de força do projeto neoliberal internacional, de supremacia do capital sobre o trabalho e de mercantilização da política doméstica dos Estados.



A diferença está apenas no fato de que um lado tenta domar um pouco o lado animal do sistema atual, protegendo e criando novas vagas de empregos, por exemplo, enquanto o outro é mais liberalizante, deixa a selvageria do capitalismo prevalecer.



Em suma, um busca ampliar as ofertas de trabalho e proteger o trabalhador. O outro se empenha, em última instância, a garantir vida boa e longa ao capital, principalmente ao internacional, provendo um ambiente seguro para ele vir e sair quando e como quiser. Um foca no trabalhador. O outro no mercado.



Bom, vamos lá...



Na economia e no papel do Estado, o projeto defendido pela Coroa é herdeiro do social-desenvolvimentismo, do Estado forte, indutor e provedor. Ao tempo que o do Cara é filho do liberalismo, do Estado mínimo, regulador e residual.



Na política, o projeto encabeçado pela Coroa inclina-se à democracia material e participativa. E o liderado pelo Cara celebra a democracia liberal e representativa.



No social, na mesma ordem, a Coroa foca na inclusão social pela distribuição de renda e de oportunidades, calcado no postulado da igualdade. Ao passo que o Cara crê na ascensão pela competição, professando seu credo, total, na livre iniciativa do cidadão, dando toda tônica ao axioma da liberdade.



Na cultura, na perspectiva da visão de mundo, dos símbolos e das identidades que lhe dão significado, a Coroa reconhece não só um corte, como uma luta de classes, entre os excluídos/oprimidos e os afortunados/opressores. Diferente disso, o Cara proclama outra realidade, de matiz integracionista, não reconhecendo o corte e/ou luta de classes, tão pouco qualquer discriminação de gênero ou de cor na sociedade, para ficar nesses dois exemplos.     



Como se percebe, apesar das semelhanças, da conciliação de ambos com o neoliberalismo internacional e nacional, do envolvimento dos dois em escândalos de corrupção, da postura e compostura agressiva na campanha que lhes aproxima, fazendo com que pareçam duas faces da mesma moeda (Cara e Coroa), sim, ainda existe diferenças que os distinguem.



Cito uma diferença setorial - na segurança -, para deixar o que digo mais claro.



Dilma honra a tradição da esquerda, quando investe na ação integrada das instituições de segurança pública para controlar e combater o crime,  junto com investimentos holísticos nas áreas sociais e no fomento à participação da sociedade na formulação, execução, monitoramento e avaliação da política. Dilma é contra a diminuição da maioridade penal.



Aécio em nada envergonha a tradição mais conservadora e da direita brasileira, quando protesta pela militarização da política de segurança pública nas ruas do Brasil e pela ampliação das penas de encarceramento. Aécio é favorável à diminuição da maioridade penal.



Assim sendo, depois de assistir praticamente todos os programas de TV e Rádio das campanhas de cada um, de ler tudo o que pude e de conversar com minha mulher e debater com amigos e conhecidos, ao final, decidi votar em Dilma (13), para Presidência do Brasil.   



Decidi, desta feita, com a devida venia às duplas sertanejas (Chitãozinho e Xororó, Zezé di Camargo e Luciano e outros), optando por caminhar e cantar com os representantes do tropicalismo (Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso), e seguir a canção de Geraldo Vandré, “Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores”, ao revés da música de Ivete Sangalo, “Festa”.



Paulo Lemos é advogado em Cuiabá/MT


 0 Comentários  |  Comente esta matéria!
mais opiniões
06/10/2016
11/04/2016
26/11/2015
22/07/2015
24/03/2015
21/03/2015
18/03/2015
17/03/2015
09/02/2015
07/01/2015
 menos  1   2   3   4   5   6   7   mais 
enquete
O que você prefere ler?
Polícia
Política
Agronegócios
Variedades
Educação

Se nenhuma das opções sugeridas for de sua escolha, mande sua sugestão através do menu contato
Copyright © 2017 - Arinos Notícias